Sequoia, um dos melhores IPOs de 2020, pode entrar na disputa pelos Correios
- Bia Rodrigues Carvalho
- 20 de nov. de 2020
- 3 min de leitura
Em entrevista, o CEO da empresa, cujas ações subiram 34%, diz que vai observar de perto a privatização e o modelo de venda.

Muitas empresas já aparecem na lista de interessados na privatização dos Correios, que apesar de ser bastante comentada não tem nada definido. Entre essas empresas aparecem algumas bastante conhecidas, como Magazine Luiza, FedEx e DHL. Agora entra na disputa também umas das maiores empresas de logística e e-commerce do país, com 16% de participação do mercado de vendas online, ingressou na B3 recentemente no mês de outubro e já conta com presença em mais de 3.300 cidades. Hoje ela é uma das melhores IPOs da bolsa brasileira em 2020, com alta de 34%, mesmo não fazendo tanto barulho no início.
Hoje, 70% do volume de pedidos que eles recebem se encontra no interior, com um tempo médio de entrega entre 4 e 5 dias, porém, a empresa esta investindo cerca de metade do capital novo em tecnologias e automação no próximo ano, com ideia de reduzir esse tempo para no máximo 3 dias. Nos centros metropolitanos, onde estão os outros 30% do volume, a empresa garante entregas em 48 horas.
O restante do dinheiro a companhia vai direcionar para aquisições no setor de e-commerce. Sendo que a primeira aquisição já está em estágio bem avançado, saindo entre dezembro e janeiro. Nesse período, a Sequoia mantém os olhos para a privatização dos correios, assunto que vai dominar o segmento em 2021. Segundo disse Armando Marchesan, CEO e fundador da Sequoia: “Tem uma série de questões que tornam difícil essa privatização. Até acredito que vai ser levada adiante pelo tanto que se fala, mas temos dúvida no formato. Agora, a Sequoia, naturalmente, como talvez o único player desse mercado com capital aberto, voltado para serviço express, de encomendas, vai avaliar isso de perto”
Segundo ele, um modelo de venda com separação de negócio e serviço de entrega express, por exemplo, pode tornar a estatal mais atraente, visto que uma venda total dos Correios parece um grande desafio. “Não temos nenhuma informação a respeito. Vamos avaliar ao passo que isso for divulgado. Vai depender do formato que vier, mas com certeza é um tema importante que vai dominar 2021, e até acho natural pela relevância da companhia”.
No início do ano, a Sequoia possuía cerca de 2.000 rotas. Hoje, esse número já ultrapassa 3.300, contando com 11 centros de distribuição automatizados e 47 bases operacionais. E se for oferecido a parte de serviços express, a empresa poderia ter ainda mais capacidade de operações, que já vem crescendo a passos largos.
A companhia quer expandir ainda mais a participação do e-commerce em sua receita, que hoje representa 47% a 48% do faturamento da empresa, que conta com uma lista de clientes que inclui oito das dez maiores empresas de vendas online do país, entre elas, gigantes como Mercado livre e Via Varejo. A expectativa é que chegue a 55% a 57% nos próximos quatro a cinco anos, diz Marchesan.
A companhia tem explorado também novos terrenos, como exemplo de sua aquisição da Direcional Transportes, para entrar no novo segmento de e-commerce: a de entrega de produtos pesados. “Estamos adicionando agora ao nosso portfólio o serviço de entrega de grandes produtos, como geladeiras, equipamentos de ginásticas, móveis. Era um segmento em que estávamos fora. Esperamos que tenha um papel relevante, assim como temos no de pacotes pequenos e médios (até 10 quilos)”
Apesar de não ter caído nas graças dos investidores logo de cara, como outras empresas que entraram esse ano na B3 – exemplo Grupo Mateus e da Petz -, a Sequoia foi conquistando as graças dos investidores aos poucos, acumulando boa parte dos ganhos neste mês de novembro. A empresa conta com alta de 34% frente ao preço fixado na oferta há cerca de um mês e meio.
“Temos um bom lugar para nos posicionarmos. Como alguns analistas comentaram: ‘somos uma derivada do e-commerce com múltiplo bem descontado’. Podemos ser um bom porto seguro para os investidores que estão entrando”, sustenta Marchesan. Com o resultado do terceiro trimestre robusto em termos de crescimento, ele acredita que a trajetória positiva pode continuar.
Havia uma percepção entre analistas de que as vendas online cairiam com a reabertura das lojas. Mas não é isso que se tem observado. A companhia continua vendo uma expansão do e-commerce como um todo. Segundo eles, expectativa é que o e-commerce tenha penetração maior do que o varejo físico em relação ao visto em 2019, com as pessoas evitando aglomerações. “E como a Sequoia é um player relevante desse mercado, devemos nos beneficiar de alguma forma”.
A empresa espera crescer o volume em torno de 100% com a aproximação da black friday na próxima semana. Ano passado a empresa contratou 250 pessoas para atuar nos dias do evento, porém esse ano eles aumentaram para 800. Além disso também aumentaram suas frotas em 5.500 veículos, dos quais 425 são caminhões para cargas.
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